Pode fazer carinho em um cão-guia?
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Existe uma pergunta que muitas pessoas fazem quando encontram um cão-guia:
“Posso fazer carinho nele?”
A pergunta é perfeitamente compreensível.
Cães são animais que despertam afeto, curiosidade e vontade de aproximação. Quando encontramos um cão-guia, essa vontade pode ser ainda maior, principalmente pela admiração que muitas pessoas sentem ao observar a parceria entre o animal e seu tutor.
Porém, existe uma diferença importante entre gostar de um cão e compreender quando uma interação é adequada.
Quando o cão está acompanhando seu tutor, a atitude mais respeitosa é não fazer carinho sem autorização.
Essa orientação não significa que o cão não goste de carinho. Também não significa que todo contato humano seja necessariamente negativo.
Significa compreender que existe uma situação específica acontecendo e que a autonomia da dupla deve ser preservada.
Por que não devemos fazer carinho sem autorização?
Quando um cão-guia está acompanhando seu tutor, sua atenção está relacionada ao contexto em que os dois estão inseridos.
Uma pessoa se aproximar, tocar o cão ou tentar chamar sua atenção pode modificar esse contexto.
Mesmo uma interação aparentemente rápida pode criar uma mudança de foco, especialmente porque o cão percebe movimentos, vozes, cheiros, toques e outras informações presentes ao seu redor.
Por isso, evitar a interação espontânea é uma forma simples de respeitar a dupla.
Mas ele não é um cão sociável?
Pode ser.
Um cão-guia continua sendo um cão. Ele possui personalidade, preferências, experiências, emoções, necessidades e características individuais.
Muitos cães podem ser extremamente sociáveis e gostar da aproximação de pessoas.
Isso, entretanto, não significa que qualquer pessoa possa interagir com o animal a qualquer momento.
É importante separar duas situações:
- o cão possuir interesse ou disposição para receber interação;
- a interação ser apropriada naquele momento.
Uma coisa não determina automaticamente a outra.
Ser um cão amigável não significa estar disponível para qualquer interação.
O cão-guia não é uma máquina
Algumas pessoas imaginam que um cão-guia deveria ignorar completamente tudo aquilo que acontece ao seu redor.
Essa ideia cria uma visão equivocada sobre o animal.
O cão continua percebendo o ambiente. Ele pode ouvir pessoas conversando, perceber cheiros, observar movimentos e notar a presença de outros animais.
A questão não é impedir que o cão perceba o mundo.
A questão está relacionada à maneira como ele se comporta diante das diferentes situações.
Portanto, quando uma pessoa decide fazer carinho, chamar ou brincar com um cão-guia, ela está introduzindo voluntariamente um novo estímulo naquele ambiente.
O mais respeitoso é não criar essa interferência.
A vontade de fazer carinho é natural
É importante reconhecer que a vontade de acariciar um cão-guia não nasce necessariamente de uma intenção ruim.
Muitas pessoas simplesmente gostam de animais e sentem vontade de demonstrar afeto.
O problema está em transformar essa vontade em uma ação sem considerar o contexto.
Respeito também significa saber quando devemos controlar uma vontade legítima.
Gostar de animais também é saber respeitar seus limites
Demonstrar carinho por um animal nem sempre significa tocá-lo.
Em determinadas situações, a melhor demonstração de respeito é simplesmente permitir que ele continue seu caminho sem interferência.
Posso perguntar antes?
Sim.
Se existir uma situação apropriada para conversar, a maneira correta é dirigir-se à pessoa responsável pelo cão e perguntar.
Por exemplo:
“Posso fazer carinho no seu cão?”
A pessoa poderá responder de acordo com a situação naquele momento.
Talvez seja possível interagir.
Talvez não seja.
Em qualquer dos casos, a resposta deve ser respeitada.
O mais importante é compreender que a decisão não pertence ao desconhecido que deseja fazer carinho. Ela pertence à pessoa responsável pela relação com aquele cão naquele momento.
Nunca transforme a pergunta em uma aproximação automática
Existe uma diferença importante entre perguntar e simplesmente tocar o cão enquanto se pergunta.
Se você quiser saber se pode interagir, primeiro converse com a pessoa e aguarde a resposta.
Não coloque a mão sobre o animal antes da autorização.
Também não tente chamar o cão para perto enquanto espera uma resposta.
A pergunta deve ser realmente uma pergunta, e não uma forma de anunciar uma ação que já está sendo realizada.
Perguntar antes é respeitoso porque permite que a pessoa decida.
E as crianças?
Crianças naturalmente podem ficar curiosas ao encontrar um cão-guia.
Por isso, adultos que estejam acompanhando crianças também têm um papel importante.
É uma oportunidade para ensinar que nem todo animal que encontramos na rua está disponível para receber carinho.
Em vez de simplesmente dizer:
“Não pode mexer no cachorro.”
Podemos transformar a situação em uma oportunidade de educação:
“Esse cão está acompanhando uma pessoa. Vamos respeitar os dois e não chamar a atenção dele.”
Dessa maneira, a criança aprende não apenas uma regra, mas um princípio de convivência.
E se eu estiver com outro cachorro?
A atenção deve ser redobrada.
Um cão-guia pode encontrar outros cães durante seus deslocamentos, e cada encontro acontece dentro de um contexto específico.
Não é adequado permitir que seu próprio cão se aproxime livremente de uma dupla formada por uma pessoa com deficiência visual e um cão-guia.
Uma aproximação inesperada pode alterar a situação e gerar uma interação que não foi solicitada.
A melhor atitude é manter controle sobre seu próprio animal e respeitar o espaço da dupla.
E oferecer comida ou brinquedos?
Também não.
Oferecer alimentos, brinquedos ou qualquer outro objeto com o objetivo de chamar a atenção do cão representa uma forma direta de interferência.
Além da questão comportamental, existem também características individuais relacionadas à alimentação, saúde e rotina de cada animal.
Portanto, nunca devemos oferecer algo a um cão-guia sem autorização da pessoa responsável por ele.
Não ofereça alimentos, brinquedos ou outros estímulos para chamar a atenção de um cão-guia.
Então nunca posso fazer carinho em um cão-guia?
Não é isso.
A questão principal não é estabelecer uma proibição absoluta sobre qualquer contato.
O ponto central é compreender que a interação precisa acontecer no contexto adequado e com autorização da pessoa responsável pelo cão.
Existem momentos em que o animal pode estar em uma situação apropriada para receber interação.
Quando isso acontecer, a própria pessoa poderá orientar como proceder.
Essa diferença é fundamental.
Não é o simples ato de tocar que define se a interação é adequada. É o contexto.
A decisão deve ser respeitada
Quando perguntamos se podemos fazer carinho, precisamos estar preparados para ouvir qualquer resposta.
A pessoa pode dizer que sim.
Também pode dizer que não.
Pode explicar que aquele não é um bom momento.
Pode simplesmente preferir continuar seu deslocamento.
Todas essas respostas devem ser respeitadas.
O cão-guia faz parte da vida da pessoa que o acompanha. Portanto, a relação entre os dois não deve ser tratada como uma oportunidade pública de interação com o animal.
Existe uma dupla diante de você
Talvez essa seja a ideia mais importante deste artigo.
Quando encontramos um cão-guia acompanhando uma pessoa com deficiência visual, não estamos simplesmente diante de um cachorro que queremos acariciar.
Estamos diante de uma dupla.
Uma pessoa e um cão construíram uma relação de parceria que deve ser respeitada.
O cão possui seu papel nessa relação.
A pessoa possui sua autonomia.
E as duas coisas precisam ser consideradas ao mesmo tempo.
Por isso, uma atitude aparentemente pequena, como esperar antes de tocar o animal, pode representar muito mais do que uma simples regra de convivência.
Ela demonstra que reconhecemos a existência daquela dupla e respeitamos o espaço que ela ocupa na sociedade.
Às vezes, respeitar é a melhor forma de demonstrar carinho
Existe uma contradição interessante quando falamos sobre cães-guia.
Muitas pessoas se aproximam porque gostam de animais.
Querem fazer carinho porque consideram o cão bonito, dócil ou especial.
Mas justamente porque gostam de animais, podem aprender que o respeito também faz parte da relação.
O melhor gesto pode ser não interferir
Em determinadas situações, deixar o cão seguir tranquilamente ao lado de seu tutor é uma demonstração muito maior de respeito do que tentar estabelecer contato com ele.
O carinho que você gostaria de oferecer pode esperar. A autonomia da dupla, naquele momento, não deve ser colocada em segundo plano.
Como agir ao encontrar um cão-guia?
Algumas atitudes simples ajudam a tornar a convivência mais respeitosa:
- Não chame o cão.
- Não faça carinho sem autorização.
- Não ofereça alimentos.
- Não ofereça brinquedos.
- Não tente brincar com o animal.
- Não permita que seu próprio animal se aproxime inadequadamente.
- Não toque na pessoa ou no cão sem autorização.
- Se quiser conversar, fale diretamente com a pessoa.
- Se quiser fazer carinho, pergunte primeiro.
- Respeite a resposta recebida.
Respeitar o cão também é respeitar a autonomia da pessoa
À primeira vista, a discussão sobre fazer carinho parece estar relacionada apenas ao animal.
Mas existe algo ainda mais importante por trás dela: a autonomia da pessoa com deficiência visual.
Quando alguém decide chamar, tocar ou interagir com o cão sem considerar a pessoa que está ao seu lado, acaba ignorando uma parte fundamental daquela relação.
O cão não está ali isoladamente.
Ele está inserido na vida de seu tutor.
Respeitar o cão-guia também significa respeitar a pessoa que depende daquela parceria.
Cão guiAmigo: compreender antes de interagir
O Cão guiAmigo acredita que informação pode transformar a maneira como a sociedade se relaciona com pessoas com deficiência visual e seus cães-guia.
Muitas situações que parecem pequenas acontecem simplesmente porque as pessoas não sabem como agir.
Ensinar não significa apenas dizer o que pode ou não pode fazer.
Significa explicar o motivo por trás de determinada atitude.
Quando entendemos que existe uma dupla, que existe autonomia e que o cão possui um papel importante naquela relação, fica muito mais fácil compreender por que uma simples tentativa de carinho pode não ser apropriada naquele momento.
Informação transforma comportamento.
E comportamento respeitoso contribui para uma sociedade mais acessível.
Afinal, pode fazer carinho em um cão-guia?
A resposta mais responsável é: somente quando houver uma situação apropriada e autorização da pessoa responsável pelo cão.
Se o cão estiver acompanhando seu tutor, não tente estabelecer contato por conta própria.
Não chame.
Não toque.
Não ofereça comida.
Não ofereça brinquedos.
Não tente brincar.
E, principalmente, não transforme sua curiosidade ou vontade de demonstrar carinho em uma interferência.
Antes de tocar em um cão-guia, pergunte. Antes de agir, respeite. Antes de interferir, compreenda a dupla.
No fim, compreender um cão-guia não significa apenas aprender quando podemos fazer carinho.
Significa aprender a reconhecer os limites de uma relação que existe para proporcionar parceria, autonomia, segurança e liberdade.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de demonstrar respeito:
gostar do cão o suficiente para permitir que ele continue ao lado de seu tutor sem interferências.
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