Acessibilidade, autonomia e independência: existe diferença?

Acessibilidade, autonomia e independência estão relacionadas, mas não significam exatamente a mesma coisa. Compreender essas diferenças ajuda a perceber melhor a participação das pessoas com deficiência visual e as condições necessárias para uma vida mais autônoma.

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Três conceitos que costumam ser confundidos

Quando falamos sobre deficiência, acessibilidade e participação social, três palavras aparecem com frequência: acessibilidade, autonomia e independência.

Como estão relacionadas, é comum que sejam utilizadas como se fossem sinônimas.

Entretanto, cada uma delas ajuda a observar um aspecto diferente da relação entre a pessoa e o ambiente em que vive.

Acessibilidade está relacionada às condições que permitem o acesso e a participação.

Autonomia está relacionada à possibilidade de fazer escolhas, tomar decisões e participar da própria vida.

Independência costuma estar relacionada à capacidade de realizar determinada atividade sem depender diretamente de outra pessoa.

Acessibilidade cria condições. Autonomia envolve escolhas. Independência está relacionada à realização das atividades.

Embora essa diferença seja útil, os conceitos continuam profundamente relacionados.

Uma pessoa pode ter mais autonomia justamente porque encontrou condições acessíveis para participar de determinada atividade.

O que significa acessibilidade?

Acessibilidade diz respeito às condições oferecidas para que diferentes pessoas possam utilizar espaços, serviços, informações, tecnologias e atividades.

Ela não está limitada à construção de rampas ou à instalação de equipamentos.

Como vimos nos artigos anteriores desta categoria, também existem barreiras relacionadas à informação, à comunicação, à tecnologia, à mobilidade e às atitudes das pessoas.

Uma página da internet, por exemplo, pode possuir conteúdo relevante e ainda apresentar barreiras para quem utiliza tecnologia assistiva.

Um estabelecimento pode possuir acesso físico adequado e, ao mesmo tempo, oferecer informações difíceis de utilizar.

Portanto, acessibilidade precisa ser observada dentro da experiência completa da pessoa.

Acessibilidade não é sinônimo de independência

Um ambiente acessível não significa necessariamente que uma pessoa conseguirá realizar todas as atividades sem qualquer ajuda.

Essa distinção é importante.

Imagine uma pessoa que consegue acessar um serviço porque as informações estão disponíveis em formato adequado.

Essa condição pode ampliar sua participação e permitir que ela tome decisões sobre o que deseja fazer.

Ainda assim, em determinado momento, ela pode precisar de apoio para realizar uma atividade específica.

A necessidade de apoio não significa automaticamente ausência de autonomia.

Da mesma maneira, realizar uma atividade sozinho não significa necessariamente que todas as decisões relacionadas a ela tenham sido tomadas de forma autônoma.

O que significa autonomia?

Autonomia está relacionada à capacidade de participar das próprias decisões e exercer escolhas dentro das condições disponíveis.

Isso pode envolver decisões simples da rotina ou escolhas mais amplas relacionadas à vida pessoal, profissional e social.

Uma pessoa autônoma não precisa necessariamente realizar tudo sem qualquer apoio.

Ela pode receber auxílio e continuar sendo a pessoa responsável por decidir aquilo que deseja fazer.

Essa compreensão é especialmente importante quando falamos sobre pessoas com deficiência.

Muitas vezes, existe uma expectativa equivocada de que uma pessoa só será verdadeiramente autônoma quando conseguir fazer tudo sozinha.

Essa ideia reduz a autonomia à independência física ou operacional.

Na realidade, escolha, participação e possibilidade de decisão também fazem parte da autonomia.

Receber ajuda não significa perder autonomia

Uma pessoa pode precisar de apoio para realizar determinada atividade e, ainda assim, ser plenamente capaz de decidir como, quando e por que deseja realizá-la.

O apoio adequado deve ampliar possibilidades, e não substituir desnecessariamente as escolhas da própria pessoa.

E o que significa independência?

Independência costuma ser utilizada para descrever a possibilidade de realizar uma atividade sem depender diretamente da execução de outra pessoa.

Uma pessoa pode, por exemplo, conseguir preparar uma refeição, utilizar determinado equipamento ou circular por um ambiente utilizando seus próprios recursos e estratégias.

Isso pode representar um grau maior de independência naquela atividade.

Entretanto, independência não precisa ser absoluta.

É perfeitamente possível que uma pessoa seja independente em algumas atividades e necessite de apoio em outras.

A vida cotidiana é composta por diferentes situações, e cada uma delas pode apresentar necessidades distintas.

Autonomia e independência podem caminhar juntas

Embora sejam conceitos diferentes, autonomia e independência frequentemente se fortalecem mutuamente.

Quando uma pessoa encontra condições para realizar uma atividade com menor necessidade de auxílio, pode ampliar suas possibilidades de participação.

Ao mesmo tempo, ter condições de realizar algo sozinho pode aumentar as possibilidades de escolha.

Mas essa relação não deve ser transformada em uma regra absoluta.

Uma pessoa pode continuar exercendo sua autonomia mesmo quando necessita de apoio para determinadas tarefas.

O mais importante é compreender qual é o papel desse apoio e se ele respeita as escolhas da pessoa.

Uma pessoa pode ser autônoma mesmo precisando de ajuda

Imagine uma pessoa com deficiência visual que decide participar de um evento em um local desconhecido.

Ela pode solicitar informações sobre a localização de determinado espaço.

Pode pedir que alguém descreva uma característica do ambiente.

Pode precisar de auxílio para identificar uma situação específica.

Nada disso significa necessariamente que outra pessoa esteja tomando as decisões por ela.

O auxílio pode ser apenas um recurso utilizado para alcançar um objetivo que continua sendo escolhido pela própria pessoa.

Essa diferença ajuda a evitar uma visão equivocada sobre o significado de autonomia.

A ajuda deve apoiar, não substituir

Existe uma diferença importante entre oferecer apoio e assumir o controle de uma situação.

Quando alguém oferece uma ajuda adequada, permite que a pessoa continue participando ativamente daquilo que está fazendo.

Quando alguém toma decisões sem consultar a pessoa, porém, pode acabar reduzindo sua autonomia.

Isso pode acontecer mesmo quando a intenção inicial era positiva.

Por isso, uma atitude respeitosa costuma começar por perguntar se a ajuda é necessária e de que maneira ela pode ser oferecida.

A pessoa é quem melhor pode indicar o apoio de que necessita naquela situação.

Autonomia também envolve o direito de escolher

Escolher faz parte da autonomia.

Isso inclui escolher caminhos, atividades, formas de realizar tarefas, recursos utilizados e maneiras de organizar a própria rotina.

Pessoas diferentes podem tomar decisões diferentes diante de situações semelhantes.

Isso não significa necessariamente que uma escolha seja mais autônoma do que outra.

O ponto central é que a pessoa tenha condições de compreender as possibilidades disponíveis e participar da decisão.

A acessibilidade contribui para isso quando reduz barreiras que poderiam impedir o acesso às informações necessárias para uma escolha.

Informação é uma condição importante para a autonomia

É difícil tomar uma decisão quando as informações necessárias não estão disponíveis.

Por isso, acessibilidade informacional possui relação direta com autonomia.

Uma pessoa precisa conseguir identificar informações, compreender orientações e acessar conteúdos relevantes para participar de determinadas situações.

Para uma pessoa com deficiência visual, isso pode envolver recursos de tecnologia assistiva, áudio, leitores de tela, ampliação, contraste ou outras formas de acesso.

O recurso utilizado pode variar de acordo com a pessoa e com a situação.

O objetivo, porém, permanece relacionado à possibilidade de acessar a informação e utilizá-la de maneira funcional.

Mobilidade também está relacionada à autonomia

A possibilidade de se deslocar possui grande importância para a participação na vida cotidiana.

Ir ao trabalho, estudar, fazer compras, visitar alguém ou simplesmente escolher para onde deseja ir são atividades que dependem de condições de mobilidade.

Para uma pessoa com deficiência visual, a mobilidade pode envolver diferentes recursos e estratégias.

A bengala, recursos tecnológicos, orientação espacial e o cão-guia são alguns exemplos de elementos que podem participar dessa experiência.

Cada pessoa pode utilizar recursos diferentes de acordo com suas características e necessidades.

O importante é compreender que mobilidade não representa apenas deslocamento físico.

Ela também amplia possibilidades de participação, escolha e acesso à vida cotidiana.

O cão-guia pode contribuir para a autonomia e a mobilidade

Quando existe um cão-guia, a discussão sobre autonomia ganha uma dimensão especial.

O cão pode participar diretamente dos deslocamentos realizados pela pessoa com deficiência visual e contribuir para que determinadas experiências sejam realizadas com maior segurança e funcionalidade.

Entretanto, é importante compreender corretamente o papel dessa parceria.

O cão não substitui a pessoa nas decisões sobre sua própria vida.

Ele também não transforma automaticamente qualquer ambiente em um ambiente acessível.

Existe uma relação entre pessoa, cão e ambiente que precisa funcionar de maneira integrada.

A pessoa continua participando das decisões e utilizando diferentes informações para compreender a situação em que está inserida.

O cão-guia pode ampliar possibilidades de mobilidade, mas a autonomia continua pertencendo à pessoa.

Ter um cão-guia não significa deixar de precisar de acessibilidade

É importante desfazer uma ideia equivocada: a presença de um cão-guia não elimina as barreiras existentes no ambiente.

Uma calçada inadequada continua sendo uma barreira.

Uma informação inacessível continua sendo uma barreira.

Um atendimento despreparado continua podendo dificultar a participação.

O cão pode contribuir para a mobilidade da pessoa, mas a sociedade também precisa oferecer condições adequadas para que essa dupla possa circular e participar.

Por isso, acessibilidade e cão-guia não devem ser colocados como alternativas.

Eles fazem parte de uma realidade na qual diferentes recursos e condições podem atuar conjuntamente.

Independência não significa fazer tudo sozinho

Uma das ideias mais difíceis de abandonar é a de que independência significa não precisar de ninguém em nenhuma circunstância.

Essa definição é pouco realista para a vida humana.

Todas as pessoas dependem de outras pessoas em algum grau e em diferentes momentos.

Utilizamos serviços, transportes, sistemas, tecnologias, profissionais e redes de convivência.

A diferença está na maneira como essas relações são organizadas e no grau de controle que a pessoa possui sobre sua própria vida.

Por isso, independência não deve ser entendida como isolamento.

Precisar de apoio não é fracassar

Uma pessoa pode ser altamente autônoma e ainda precisar de apoio em determinadas situações.

Isso não representa necessariamente uma falha.

A necessidade de apoio faz parte da vida humana.

O problema aparece quando a pessoa é impedida de escolher ou participar simplesmente porque precisa de algum tipo de auxílio.

Uma sociedade acessível deve buscar reduzir barreiras desnecessárias e permitir que os apoios necessários sejam utilizados de maneira adequada.

Autonomia não significa ausência de limites

Ter autonomia também não significa poder fazer qualquer coisa sem considerar regras, segurança ou consequências.

Todas as pessoas convivem com limites.

Existem regras de trânsito, normas de segurança, responsabilidades profissionais e diferentes condições que organizam a vida em sociedade.

A autonomia acontece dentro da realidade em que a pessoa está inserida.

Isso significa que exercer autonomia envolve tomar decisões considerando as informações e condições disponíveis.

Acessibilidade pode ampliar a independência

Quando uma barreira é removida, uma pessoa pode passar a realizar determinada atividade com menor necessidade de auxílio.

Um site acessível pode permitir que uma pessoa navegue por suas páginas sem depender de outra pessoa para localizar informações.

Uma sinalização adequada pode facilitar a orientação dentro de determinado ambiente.

Um recurso tecnológico pode possibilitar a realização de uma atividade que anteriormente exigia apoio.

Nesses casos, acessibilidade pode contribuir diretamente para ampliar a independência em determinadas situações.

Mas a mesma solução não funciona para todas as pessoas

É importante lembrar que acessibilidade não possui uma única fórmula.

Pessoas diferentes podem utilizar recursos diferentes para realizar a mesma atividade.

Uma pessoa com baixa visão pode preferir determinado recurso visual.

Outra pessoa pode utilizar predominantemente um leitor de tela.

Outra pode combinar diferentes recursos dependendo do ambiente.

Por isso, oferecer uma solução não significa necessariamente resolver todas as necessidades.

É preciso considerar a experiência concreta da pessoa e o contexto em que determinada atividade acontece.

Autonomia também depende do respeito

Não adianta criar recursos acessíveis se as pessoas continuam sendo tratadas como incapazes de tomar decisões.

Atitudes de excesso de proteção podem interferir na autonomia tanto quanto uma barreira física ou tecnológica.

Isso acontece quando alguém assume que uma pessoa com deficiência não conseguirá realizar determinada atividade antes mesmo de perguntar.

Também acontece quando alguém toma decisões por ela sem necessidade.

Respeitar autonomia significa reconhecer a pessoa como participante ativa da situação.

A pessoa com deficiência visual não precisa ser tratada como incapaz

A deficiência visual pode alterar a maneira como uma pessoa acessa determinadas informações, mas isso não significa ausência de capacidade para tomar decisões.

Cada pessoa desenvolve suas próprias estratégias de acordo com sua experiência, seus recursos e suas necessidades.

Por isso, a melhor atitude não é presumir incapacidade.

É reconhecer que a pessoa pode utilizar diferentes formas de interação com o ambiente.

Essa mudança de perspectiva é importante para a construção de relações mais respeitosas.

O papel da tecnologia assistiva

A tecnologia assistiva pode desempenhar um papel importante na ampliação da autonomia e da independência.

Leitores de tela, ampliadores, dispositivos de orientação e diferentes recursos tecnológicos podem facilitar o acesso a informações e atividades.

Entretanto, a existência de uma tecnologia não garante automaticamente acessibilidade.

O recurso precisa ser compatível com a atividade e encontrar um ambiente preparado para sua utilização.

Além disso, a pessoa precisa ter condições de escolher se aquele recurso é adequado às suas necessidades.

Acessibilidade, autonomia e independência formam uma relação

Em vez de pensar nesses três conceitos como elementos completamente separados, podemos observar como eles se relacionam.

A acessibilidade pode reduzir barreiras.

A redução de barreiras pode ampliar possibilidades de participação.

Essas possibilidades podem favorecer escolhas e autonomia.

Em determinadas situações, também podem aumentar a independência na realização de atividades.

Portanto, existe uma espécie de relação entre as condições oferecidas pelo ambiente e as possibilidades de participação da pessoa.

Uma forma simples de compreender

Acessibilidade pergunta: quais barreiras precisam ser reduzidas?

Autonomia pergunta: quais escolhas a pessoa pode fazer?

Independência pergunta: o que a pessoa consegue realizar sem depender diretamente de outra pessoa?

O que acontece quando a acessibilidade não existe?

Quando barreiras permanecem presentes, uma pessoa pode precisar utilizar estratégias adicionais para realizar atividades que poderiam ser mais simples.

Em algumas situações, isso pode significar depender constantemente de outra pessoa para obter informações ou utilizar determinado serviço.

Essa dependência nem sempre é consequência da deficiência em si.

Muitas vezes, ela surge porque o ambiente não oferece condições adequadas de acesso.

Essa diferença é fundamental.

Quando identificamos a barreira, podemos começar a pensar em soluções que ampliem as possibilidades de participação.

Acessibilidade não deve criar uma nova forma de dependência

Uma solução acessível deve ser pensada para ampliar possibilidades e não para substituir constantemente a participação da pessoa.

Se determinado serviço só funciona quando alguém está disponível para ajudar, talvez seja necessário analisar se existem barreiras que poderiam ser reduzidas.

Isso não significa eliminar a ajuda humana.

Significa evitar que ela seja a única alternativa disponível.

A possibilidade de escolher entre utilizar um recurso, realizar uma atividade sozinho ou solicitar apoio representa uma condição importante de autonomia.

A autonomia pode mudar conforme a situação

Uma pessoa pode apresentar grande independência em determinado ambiente e precisar de apoio em outro.

Isso pode acontecer porque os ambientes possuem características diferentes.

Um local conhecido pode oferecer informações que a pessoa já domina.

Um ambiente novo pode apresentar obstáculos, mudanças ou informações desconhecidas.

Por isso, não devemos avaliar a autonomia de uma pessoa a partir de uma única situação.

A experiência precisa ser observada dentro do contexto.

Para uma pessoa com deficiência visual, o ambiente faz diferença

A maneira como um ambiente é organizado pode modificar significativamente a experiência de uma pessoa com deficiência visual.

Informações disponíveis, circulação, organização dos espaços, atendimento e recursos tecnológicos podem facilitar ou dificultar a participação.

Isso significa que a mesma pessoa pode apresentar diferentes níveis de independência dependendo das condições encontradas.

Por isso, não é adequado analisar a capacidade de uma pessoa sem considerar o ambiente em que a atividade acontece.

O cão-guia também está inserido nesse ambiente

Quando a pessoa utiliza um cão-guia, o ambiente continua sendo parte fundamental da experiência.

O cão pode contribuir para a mobilidade, mas a dupla continua encontrando diferentes situações ao longo da rotina.

Pessoas ao redor precisam compreender que o animal possui uma função específica e que determinadas interferências podem dificultar a atuação da dupla.

Ao mesmo tempo, estabelecimentos, serviços e espaços precisam estar preparados para receber a pessoa com seu cão-guia.

Assim, a acessibilidade continua sendo uma característica do ambiente e da sociedade, e não apenas do recurso utilizado pela pessoa.

Autonomia e parceria

A relação entre pessoa e cão-guia também precisa ser compreendida a partir da ideia de parceria.

O cão participa de determinadas atividades e contribui para a mobilidade da pessoa.

A pessoa, por sua vez, continua sendo responsável por decisões relacionadas à sua vida e à maneira como deseja participar das situações.

Essa relação não diminui a autonomia da pessoa.

Ao contrário, quando a parceria funciona adequadamente, ela pode ampliar possibilidades de circulação e participação.

Independência não é uma competição

Outro erro comum é transformar independência em uma espécie de competição.

Uma pessoa não precisa provar que consegue fazer tudo sozinha para demonstrar capacidade.

Da mesma forma, solicitar ajuda em determinada situação não deve ser interpretado como incapacidade.

O mais importante é que a pessoa tenha condições de escolher quando deseja realizar algo sozinha e quando considera adequado utilizar apoio.

Essa possibilidade de escolha é uma expressão importante da autonomia.

Acessibilidade também significa oferecer opções

Um ambiente mais acessível não precisa obrigatoriamente determinar uma única maneira de realizar uma atividade.

Quanto mais possibilidades adequadas existem, maior pode ser a capacidade da pessoa de escolher a estratégia que melhor funciona para ela.

Isso é especialmente importante porque as necessidades variam entre indivíduos.

Uma solução flexível pode atender melhor à diversidade do que uma solução pensada para um único perfil.

Acessibilidade também é liberdade de escolha

Quando uma pessoa possui diferentes formas de acessar uma informação ou realizar uma atividade, ela pode escolher aquela que melhor atende às suas necessidades.

Isso amplia sua capacidade de organizar a própria experiência.

Por essa razão, acessibilidade não deve ser compreendida apenas como eliminação de obstáculos físicos.

Ela também está relacionada à criação de condições que permitam diferentes formas de participação.

O papel da sociedade na autonomia das pessoas

A autonomia individual não depende exclusivamente das características da própria pessoa.

A sociedade também influencia as possibilidades de participação por meio dos ambientes, serviços, informações e atitudes que oferece.

Quando existem muitas barreiras, a pessoa precisa desenvolver estratégias adicionais para lidar com elas.

Quando essas barreiras são reduzidas, novas possibilidades podem surgir.

Por isso, construir acessibilidade é também criar melhores condições para o exercício da autonomia.

Na perspectiva Cão guiAmigo

Na perspectiva Cão guiAmigo, acessibilidade, autonomia e independência precisam ser observadas dentro da realidade da pessoa e de sua relação com o ambiente.

A presença de um cão-guia pode contribuir de maneira significativa para a mobilidade e para a participação da pessoa com deficiência visual.

Entretanto, a parceria não deve ser entendida como uma solução isolada para todas as barreiras encontradas na vida cotidiana.

A pessoa continua precisando de informações acessíveis, ambientes adequados, serviços preparados e respeito às suas escolhas.

O cão participa dessa realidade como parceiro de mobilidade e convivência, mas a autonomia da pessoa permanece no centro da relação.

Essa compreensão também ajuda a evitar uma visão simplificada do cão-guia como se ele fosse apenas um recurso técnico.

Existe uma parceria entre dois indivíduos que acontece dentro de uma sociedade e de ambientes que precisam oferecer condições adequadas para essa dupla.

Acessibilidade amplia possibilidades. Autonomia preserva escolhas. A parceria com o cão pode ajudar a transformar essas possibilidades em experiências reais de participação.

Uma relação que precisa ser compreendida em conjunto

Quando analisamos acessibilidade, autonomia e independência separadamente, podemos compreender cada conceito com maior clareza.

Mas é quando observamos os três em conjunto que percebemos sua importância para a vida cotidiana.

Um ambiente acessível pode reduzir barreiras.

A redução dessas barreiras pode ampliar possibilidades de escolha.

Essas escolhas podem favorecer a autonomia.

Em determinadas situações, as condições oferecidas também podem aumentar a independência na realização de atividades.

E tudo isso acontece dentro de uma realidade na qual pessoas diferentes possuem necessidades diferentes.

Três conceitos para guardar

Acessibilidade: condições que reduzem barreiras e favorecem acesso e participação.

Autonomia: possibilidade de fazer escolhas e participar das decisões sobre a própria vida.

Independência: possibilidade de realizar determinadas atividades sem depender diretamente da execução de outra pessoa.

O mais importante é não transformar esses conceitos em rótulos

Embora seja útil diferenciar acessibilidade, autonomia e independência, não devemos utilizar esses conceitos para criar classificações rígidas entre as pessoas.

Uma pessoa pode apresentar diferentes necessidades em diferentes momentos.

Pode utilizar um recurso em determinada situação e outro recurso em uma situação diferente.

Pode realizar uma atividade de forma independente e precisar de apoio em outra.

Pode tomar suas próprias decisões mesmo quando recebe auxílio para executá-las.

A diversidade das experiências humanas precisa ser considerada.

A melhor pergunta nem sempre é "ela consegue fazer sozinha?"

Quando observamos uma pessoa com deficiência, é comum que a primeira pergunta seja sobre sua capacidade de realizar determinada atividade sem ajuda.

Essa pergunta pode ser importante em algumas situações, mas não é suficiente para compreender sua autonomia.

Também precisamos perguntar quais condições estão disponíveis, quais escolhas a pessoa possui e quais barreiras estão presentes.

Talvez a pergunta mais útil seja:

Quais condições permitem que essa pessoa participe da maneira que deseja?

Essa mudança de perspectiva desloca o foco daquilo que supostamente falta para as condições que podem ampliar possibilidades.

Conclusão

Acessibilidade, autonomia e independência são conceitos diferentes, embora estejam profundamente relacionados.

Acessibilidade está ligada às condições oferecidas para reduzir barreiras e permitir acesso e participação.

Autonomia está relacionada às escolhas, decisões e à possibilidade de participar da própria vida.

Independência está relacionada à capacidade de realizar determinadas atividades sem depender diretamente da execução de outra pessoa.

Esses conceitos não precisam existir de maneira absoluta.

Uma pessoa pode ser independente em algumas atividades e precisar de apoio em outras.

Pode precisar de auxílio e continuar exercendo sua autonomia.

Pode utilizar diferentes recursos para acessar uma mesma informação ou participar de uma atividade.

No caso da deficiência visual, compreender essas diferenças é especialmente importante porque a experiência da pessoa depende não apenas de suas características, mas também das condições oferecidas pelo ambiente.

Quando existe um cão-guia, essa realidade ganha uma dimensão adicional.

A parceria pode ampliar possibilidades de mobilidade e participação, mas não substitui a necessidade de acessibilidade, informação, respeito e condições adequadas nos diferentes espaços da sociedade.

Por isso, falar sobre autonomia não significa dizer que uma pessoa precisa fazer tudo sozinha.

Significa reconhecer seu direito de participar, escolher, decidir e utilizar os apoios que considerar necessários.

E falar sobre independência não significa eliminar toda forma de ajuda.

Significa ampliar, sempre que possível, as condições para que a pessoa possa realizar atividades de acordo com suas escolhas e necessidades.

A acessibilidade, por sua vez, cria parte das condições que tornam essas possibilidades concretas.

Uma sociedade mais acessível não é aquela em que ninguém precisa de ajuda. É aquela em que as pessoas podem escolher quando precisam dela e quando podem seguir seus próprios caminhos.

Acessibilidade abre caminhos, autonomia permite escolher por eles e independência amplia as possibilidades de percorrê-los.

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